Todo diretor deveria atuar ao menos uma vez na vida para se sentir na
pele do ator. Este precisa confiar no diretor, pois esta é uma
parceria sutil: ambos têm que sentir e ver o filme que estão fazendo da
mesma forma. Se o diretor ouve o ator, ele poderá descobrir dados
importantes da história que pretende contar.
Estes foram alguns dos pontos abordados pela atriz Christiane Torloni
em sua visita à Escola de Cinema Darcy Ribeiro, para participar de uma
aula de Direção: Cinema e Tevê, do curso Regular de Direção
Cinematográfica. Amiga do professor Aluízio Abranches, ela contou os
segredos de seus mais de 30 anos de sucesso nos palcos, nas telas de
cinema e televisão. Foram também exibidos trechos de quatro filmes dela:
Chico Xavier (2010), Eu (1987),
Besame Mucho (1987) e
Perfume de Gardênia
(1993). “São filmes de épocas e diretores bem diferentes, para os
alunos terem também contato com a diversidade do cinema brasileiro nos
últimos 30 anos”, explicou Abranches.
Generosa, Christiane ensinou o caminho das pedras para os futuros
cineastas. “Seja no teatro ou nas telas, tudo é a imagem que será
fixada na foto que chega ao coração da plateia. Mas antes que isso
aconteça, o ator tem que se emocionar”, disse ela logo de início, depois
de contar um pouco de sua história. Filha da atriz Monah Delacy (da
primeira turma formada pela Escola de Comunicação e Artes da USP) e do
diretor Geraldo Mateus, fundadores do Teatro de Arena, ela viveu sempre
em cena ou nas coxias e sets de gravação. Estreou aos 12 anos no
Teatrinho Trol, da extinta TV Tupi e seu primeiro grande papel foi na
novela
Baila Comigo, como filha da primeira Helena criada por
Manuel Carlos. Daí em diante quase sempre foi protagonista nos filmes,
novelas, séries e peças de que participou.
“Cinema é mais difícil porque não segue uma ordem cronológica o que
dificulta manter a continuidade emocional. Por isso, todos que
participam de um filme precisam estar preparados antes de começar a
rodar. O difícil é transformar o texto em energia, fazer o texto virar
gente”, filosofou a atriz. “E o diretor é a rede quando o ator se joga
em cena. Por isso, ele deve ter olho para o ator, o ator precisa saber
que o diretor presta atenção nele. Às vezes, no cinema, o seu movimento é
mais importante que sua fala e aí o ator precisa saber quando isso
acontece.”
Aluízio Abranches é também diretor de cinema e tem por costume trazer
profissionais de outras áreas do audiovisual para dar palestras a seus
alunos. Já estiveram com eles a atriz Júlia Lemmertz e o diretor de
fotografia Ueli Steiger (
Godzilla, 1998;
Austin Powers, 1999;
O Dia depois de Amanhã, 2004, e
Nosso Lar,
2010, entre outros). “Christiane é muito articulada e inteligente e
este tipo de atividade, que foge um pouco do currículo acadêmico, é uma
oportunidade única para o futuro diretor ter contato com quem fazendo
cinema. É tão importante quanto falar de plano e contraplano”, comentou o
professor.
Fonte: Escola de Cinema Darcy Ribeiro
Fotos: Rodrigo Jesus